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Não podemos falar da salsa sem mencionar o gênero que constitui sua raiz: o son cubano. Este ritmo nasceu nos campos do oriente cubano na segunda metade do século XVIII, tendo como antecedentes a influência hispânica, francesa e logicamente africana. Devido a essa união perfeita, ao chegar nas cidades no início do século XIX se converteu rapidamente no favorito de todos.
Assim como a música, a dança salsa tem fortes origens no son cubano. Dizem que se dançava no final do século passado nos campos do oriente de Cuba, em pares soltos, com movimentos um tanto exagerados. Este estilo era denominado son Montuno, pois provinha dos campos.
A chegada dos franceses ao oriente de Cuba, no final do século XVIII, significou um avanço importante ao son: a dança com os pares entrelaçados. O homem tomava a mulher com a mão direita no centro das costas e com sua mão esquerda, a direita dela. A mão esquerda da mulher ia sobre o ombro do parceiro.
Nos anos 50 em Havana, nos grandes lugares de reuniões sociais e festas, tais como o Casino Deportivo e o Casino de La Playa, se dançava o son e outros ritmos cubanos. Mas também ritmos norte-americanos como o Foxtrot, o Rock and Roll, o Jazz, etc. A influência que esses ritmos exerceram na forma de se dançar o son trouxe como conseqüência um novo estilo: o Casino, assim chamado por causa dos lugares onde nasceu.
O Casino
o Casino é um antecedente imediato da dança que hoje chamamos de salsa, filho da união do son com o Rock and Roll.
Nos anos 40 e 50, chegaram à Cuba grande quantidade de fuzileiros navais, turistas e executivos norte-americanos. A influência de seus gêneros musicais e estilos de dança se fez sentir em Havana (principalmente nos lugares de diversão da alta sociedade), resultando numa grande divulgação do jazz, foxtrot, rock and roll, entre outros. Isto trouxe a incorporação ao son das chamadas "voltas", tomadas do Rock and Roll, pois até então o son se dançava "en un ladrilito". E a esta maneira de dançar o son foi mais tarde batizada como Casino, em referência aos lugares onde surgiu.
Graças à estrutura definida do Casino, apareceram as chamadas Ruedas de Casino, espécie de coreografia em forma de círculo realizada por vários pares de dançarinos, guiadas por um líder que "canta" os movimentos.
Para falar dos antecedentes da rueda temos que voltar aos tempos do reinado de Luís XIV na França onde aconteciam os primeiros "ballets". A partir desse momento se instituíram os chamados "ballets da corte". Para possuir o título de nobre, era necessário saber certas coreografias que eram interpretadas nas festas da nobreza como por xemplo o minueto e as contradanzas.
No século XVIII, com a presença das frotas Francesas na Baía de Havana, a chegada dos imigrantes de Louisiana, New Orleans e fundamentalmente a imigração de franceses procedentes do Haiti, com a revolução de 1791, produz a aparição em Cuba das contradanças francesas e, derivada desta, surge a contradança cubana. Assim como na corte de Luís XIV, a aristocracia crioula, espanhóis e inclusive o povo interpretavam a dança com figuras pré-fixadas que todos deveriam saber, as quais eram dirigidas por um comandante. Não creio que até os anos 60 o criador ou os criadores da Rueda de Casino tenham pensado em Luís XIV, porém não há dúvidas de que ela possui a mesma essência das contradanças. Realmente existem contradições entre os informantes sobre onde teria surgido a Rueda de Casino pela primeira vez, uns dizem que no Casino Español, no Liceo de Havana, no El Patrício Lumumba e outros no Casino Deportivo. O sabemos ao certo é que sua expansão ocorreu sobretudo na capital.
A Rueda de Casino se tornou um fenômeno nacional depois que Rosendo, coreógrafo e bailarino do Ballet da Televisão Cubana, a apresentou no programa de televisão Para Bailar, nos anos 80.
Para que exista uma "Rueda" deve haver pelo menos dois casais, como é de se esperar, um líder e que todos os homens conheçam as figuras que o líder vai cantar. Disso se deduz que o surgimento da rueda possui um caráter social ou de grupo. As ruedas são realizadas entre amigos ou conhecidos e o principal propósito é a diversão. Muito embora, ao adquirir a habilidade, surge a competição entre ruedas e o conhecido: "El que pierde sale" que constitui diversão, mas já com um certo sentido de responsabilidade.
Na rueda por diversão, geralmente não importa se você erra, se não conhece o que te "cantam", ou se inventa um giro para solucionar a situação. Isso é o mais comum e geralmente se faz nas festas privadas, reuniões de amigos ou, por que não, nas pistas de dança.
O segundo caso: as competições entre as ruedas, mais típico dos salões de dança, onde cada grupo prepara sua rueda e seus cantos. O curioso é que depois que dançavam eles mesmos eram seus juízes.
O terceiro caso: "El que pierde sale", ou o que perde sai, como o próprio nome já diz, o cantor canta e tenta fazer com que os dançarinos se percam, e ao errarem têm de sair junto com sua companheira que estava no momento do erro, ou ainda se o líder errar cantando "fora do tempo" também sai e é substituído por outro líder.
Para se dançar em uma rueda tem-se de pedir permissão ao líder, este pode aprovar ou não, já que, volto a frisar, é uma manifestação em grupo. Outra maneira mais "diplomática" de não aprovar a entrada de um casal é declarando "El que pierde sale". Consiste em deixar entrar o casal e imediatamente cantar uma figura que seja própria do grupo, evidentemente o casal não desejado errará e irá sair.
A graduação de um dançarino é aprender a rueda, portanto para dançá-la primeiro se deve dominar o Casino. Atrevo-me a dizer que se os casais dominam com perfeição o Casino, podem dançar a rueda com os olhos vendados.
Na rueda as figuras são executadas pelos cavalheiros e as damas constituem a base. Elas mantêm a estrutura circular e o ritmo (quando os homens fazem algum contratempo) e eles fazem as piruetas, as trocas e as improvisações.
Para que uma rueda seja boa não necessariamente se tem de fazer muitas figuras, mas sim depender da perícia do líder. Um líder deve "cantar" a rueda com graça, criatividade, respeitando os tempos e sobretudo dando continuidade, porque se poderia tornar uma rueda monótona tanto para os dançarinos como para os espectadores. Um bom casinero líder é capaz até de criar figuras no momento e explicá-la rapidamente aos dançarinos e esses responderem. Também se enfeitam os cantos da figura com uma história, por exemplo: "Oye ella te quiere apretar, pero tu le dices que no" (ela que te apertar, mas diga que não).
Quando algum cavalheiro está sem parceira e quer dançar a rueda, pode roubar uma dançarina e deixar seu parceiro sem parceira. Claro que isto se faz quando se tem uma certa confiança com o grupo que está fazendo a rueda naquele momento.
Se a rueda possui uma quantidade de casais muito grande, pode-se fazer uma rueda dentro da outra. Outra maneira que se pode fazer é que dentro dela se dance em dois, três, quatro, cinco ou até seis tempos diferentes, porém na hora de se fazer as figuras a troca de casais é muito complicada e, às vezes, irritante. Também se faz em se tocarem, ou cada homem com duas mulheres.
Esta manifestação não é estruturada e estática como dizem, simplesmente deve-se apelar para a criatividade, claro sem trair os princípios básicos do Casino.
Lembrem-se:
1. Na Rueda e no Casino de maneira geral a mulher não tem de realizar nenhum movimento especial. Somente tem que se deixar conduzir pelo homem.
2. Nenhum giro da rueda deve implicar que a mulher tenha de se acomodar para facilitá-lo.
3. Quando o cavalheiro se solta, a dama deve ficar marcando o passo básico.
4. O líder deve cantar os giros e passos a tempo e de maneira fluida.
5. A Rueda de Casino é para se divertir
A Salsa e a Rueda de Casino
Não podemos falar da salsa sem mencionar o gênero que constitui sua raiz: o son cubano. Este ritmo nasceu nos campos do oriente cubano na segunda metade do século XVIII, tendo como antecedentes a influência hispânica, francesa e logicamente africana. Devido a essa união perfeita, ao chegar nas cidades no início do século XIX se converteu rapidamente no favorito de todos.
Assim como a música, a dança salsa tem fortes origens no son cubano. Dizem que se dançava no final do século passado nos campos do oriente de Cuba, em pares soltos, com movimentos um tanto exagerados. Este estilo era denominado son Montuno, pois provinha dos campos.
A chegada dos franceses ao oriente de Cuba, no final do século XVIII, significou um avanço importante ao son: a dança com os pares entrelaçados. O homem tomava a mulher com a mão direita no centro das costas e com sua mão esquerda, a direita dela. A mão esquerda da mulher ia sobre o ombro do parceiro.
Nos anos 50 em Havana, nos grandes lugares de reuniões sociais e festas, tais como o Casino Deportivo e o Casino de La Playa, se dançava o son e outros ritmos cubanos. Mas também ritmos norte-americanos como o Foxtrot, o Rock and Roll, o Jazz, etc. A influência que esses ritmos exerceram na forma de se dançar o son trouxe como conseqüência um novo estilo: o Casino, assim chamado por causa dos lugares onde nasceu.
O Casino
o Casino é um antecedente imediato da dança que hoje chamamos de salsa, filho da união do son com o Rock and Roll.
Nos anos 40 e 50, chegaram à Cuba grande quantidade de fuzileiros navais, turistas e executivos norte-americanos. A influência de seus gêneros musicais e estilos de dança se fez sentir em Havana (principalmente nos lugares de diversão da alta sociedade), resultando numa grande divulgação do jazz, foxtrot, rock and roll, entre outros. Isto trouxe a incorporação ao son das chamadas "voltas", tomadas do Rock and Roll, pois até então o son se dançava "en un ladrilito". E a esta maneira de dançar o son foi mais tarde batizada como Casino, em referência aos lugares onde surgiu.
Graças à estrutura definida do Casino, apareceram as chamadas Ruedas de Casino, espécie de coreografia em forma de círculo realizada por vários pares de dançarinos, guiadas por um líder que "canta" os movimentos.
A Rueda de Casino
Para falar dos antecedentes da rueda temos que voltar aos tempos do reinado de Luís XIV na França onde aconteciam os primeiros "ballets". A partir desse momento se instituíram os chamados "ballets da corte". Para possuir o título de nobre, era necessário saber certas coreografias que eram interpretadas nas festas da nobreza como por xemplo o minueto e as contradanzas.
No século XVIII, com a presença das frotas Francesas na Baía de Havana, a chegada dos imigrantes de Louisiana, New Orleans e fundamentalmente a imigração de franceses procedentes do Haiti, com a revolução de 1791, produz a aparição em Cuba das contradanças francesas e, derivada desta, surge a contradança cubana. Assim como na corte de Luís XIV, a aristocracia crioula, espanhóis e inclusive o povo interpretavam a dança com figuras pré-fixadas que todos deveriam saber, as quais eram dirigidas por um comandante. Não creio que até os anos 60 o criador ou os criadores da Rueda de Casino tenham pensado em Luís XIV, porém não há dúvidas de que ela possui a mesma essência das contradanças. Realmente existem contradições entre os informantes sobre onde teria surgido a Rueda de Casino pela primeira vez, uns dizem que no Casino Español, no Liceo de Havana, no El Patrício Lumumba e outros no Casino Deportivo. O sabemos ao certo é que sua expansão ocorreu sobretudo na capital.
A Rueda de Casino se tornou um fenômeno nacional depois que Rosendo, coreógrafo e bailarino do Ballet da Televisão Cubana, a apresentou no programa de televisão Para Bailar, nos anos 80.
Para que exista uma "Rueda" deve haver pelo menos dois casais, como é de se esperar, um líder e que todos os homens conheçam as figuras que o líder vai cantar. Disso se deduz que o surgimento da rueda possui um caráter social ou de grupo. As ruedas são realizadas entre amigos ou conhecidos e o principal propósito é a diversão. Muito embora, ao adquirir a habilidade, surge a competição entre ruedas e o conhecido: "El que pierde sale" que constitui diversão, mas já com um certo sentido de responsabilidade.
Na rueda por diversão, geralmente não importa se você erra, se não conhece o que te "cantam", ou se inventa um giro para solucionar a situação. Isso é o mais comum e geralmente se faz nas festas privadas, reuniões de amigos ou, por que não, nas pistas de dança.
O segundo caso: as competições entre as ruedas, mais típico dos salões de dança, onde cada grupo prepara sua rueda e seus cantos. O curioso é que depois que dançavam eles mesmos eram seus juízes.
O terceiro caso: "El que pierde sale", ou o que perde sai, como o próprio nome já diz, o cantor canta e tenta fazer com que os dançarinos se percam, e ao errarem têm de sair junto com sua companheira que estava no momento do erro, ou ainda se o líder errar cantando "fora do tempo" também sai e é substituído por outro líder.
Para se dançar em uma rueda tem-se de pedir permissão ao líder, este pode aprovar ou não, já que, volto a frisar, é uma manifestação em grupo. Outra maneira mais "diplomática" de não aprovar a entrada de um casal é declarando "El que pierde sale". Consiste em deixar entrar o casal e imediatamente cantar uma figura que seja própria do grupo, evidentemente o casal não desejado errará e irá sair.
A graduação de um dançarino é aprender a rueda, portanto para dançá-la primeiro se deve dominar o Casino. Atrevo-me a dizer que se os casais dominam com perfeição o Casino, podem dançar a rueda com os olhos vendados.
Na rueda as figuras são executadas pelos cavalheiros e as damas constituem a base. Elas mantêm a estrutura circular e o ritmo (quando os homens fazem algum contratempo) e eles fazem as piruetas, as trocas e as improvisações.
Para que uma rueda seja boa não necessariamente se tem de fazer muitas figuras, mas sim depender da perícia do líder. Um líder deve "cantar" a rueda com graça, criatividade, respeitando os tempos e sobretudo dando continuidade, porque se poderia tornar uma rueda monótona tanto para os dançarinos como para os espectadores. Um bom casinero líder é capaz até de criar figuras no momento e explicá-la rapidamente aos dançarinos e esses responderem. Também se enfeitam os cantos da figura com uma história, por exemplo: "Oye ella te quiere apretar, pero tu le dices que no" (ela que te apertar, mas diga que não).
Quando algum cavalheiro está sem parceira e quer dançar a rueda, pode roubar uma dançarina e deixar seu parceiro sem parceira. Claro que isto se faz quando se tem uma certa confiança com o grupo que está fazendo a rueda naquele momento.
Se a rueda possui uma quantidade de casais muito grande, pode-se fazer uma rueda dentro da outra. Outra maneira que se pode fazer é que dentro dela se dance em dois, três, quatro, cinco ou até seis tempos diferentes, porém na hora de se fazer as figuras a troca de casais é muito complicada e, às vezes, irritante. Também se faz em se tocarem, ou cada homem com duas mulheres.
Esta manifestação não é estruturada e estática como dizem, simplesmente deve-se apelar para a criatividade, claro sem trair os princípios básicos do Casino.
Lembrem-se:
1. Na Rueda e no Casino de maneira geral a mulher não tem de realizar nenhum movimento especial. Somente tem que se deixar conduzir pelo homem.
2. Nenhum giro da rueda deve implicar que a mulher tenha de se acomodar para facilitá-lo.
3. Quando o cavalheiro se solta, a dama deve ficar marcando o passo básico.
4. O líder deve cantar os giros e passos a tempo e de maneira fluida.
5. A Rueda de Casino é para se divertir
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